ALLGARVE, parte 2 ...

O ministro, quase duas semana depois do anúncio, resolveu chamar “patetice” pensar-se que se queria mudar o nome “comercial” da região do Algarve para Allgarve. Isto não deixa de me satisfazer, porque para além de concordar com a tese que aqui defendi, ainda utilizou uma expressão da mesma dureza do que a minha, o que me deixa mais tranquilo.
Então pelos vistos, Allgarve é, como oportunamente alguém (foi anónimo e por isso é com pena que não posso revelar o nome de quem estava mais e melhor informado do que 90% da população portuguesa) fez o comentário ao meu anterior post, um conjunto de iniciativas que irão realizar-se naquela região.
Mas…. quero aproveitar esta oportunidade, para comentar um assunto que é fundamental quando se prepara e executa toda uma estratégia de marketing (e esta enquadra-se).
As vezes ter uma boa ideia, ou um bom produto, não é suficiente para que ele se venda sozinho, é por isso que os profissionais de marketing elaboram uma estratégia de comunicação integrada, ora neste caso, a estratégia tinha tudo para resultar, a campanha está tremendamente visível na rua, houve tempo de antena “gratuito” nos meios de imprensa, mas (lá esta ele outra vez) … falhou num aspecto fundamental, o orador (tal qual, um qualquer vendedor) não foi claro na mensagem que passou, e assim o segmento-alvo não percebeu quais as características fundamentais do que o governo queria implementar naquela região.
90% das pessoas, quer na blogosfera, quer as entidades responsáveis pelo turismo algarvio (os mais interessados no projecto) ficaram com uma ideia completamente errada (segundo o ministro) do que se estava a passar na cabeça de quem realmente decide, tornando negativa a opinião sobre este projecto, quem sabe irremediavelmente, porque agora vai ser mais fácil interiorizar que foi o governo que recuou, do que interiorizar que tudo não passou de um mal entendido. É típico do português … e o governo têm obrigação de saber isso …
Ora, transpondo isto para o mundo empresarial (que é no fundo o que mais me interessa), isto é precisamente o que se passa quando os administradores decidem uma medida que é nova, e sujeita a mudança, e não conseguem explicar de maneira perceptível aos funcionários, ou não se interessam por explicar (achando que estes não têm nada que perceber, apenas executar) … a reacção do funcionário é quase sempre de completa resistência a aceitação do projecto, minando-o, e baixando drasticamente a sua produtividade.

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